Por que voltei a construir produto com IA
A origem da nova fase da Marhvell Agents — e por que voltar a construir agora, com IA, não significa ter menos trabalho difícil pela frente.
Passei quase um ano sem publicar nada por aqui. Não foi falta de assunto. Foi uma fase de construção silenciosa — do tipo que não vira post, só vira madrugada.
Produto nunca esteve longe da minha vida. Nas últimas décadas, estive perto da idealização, construção, validação e venda de soluções de TI — em vendas, operação e produtos de SaaS B2B. O que muda agora é outra coisa: estou construindo um produto próprio, sozinho, com IA como parte real do processo de execução, e colocando essa construção de volta na rua, em público.
Nos últimos dois anos minha relação com IA mudou bastante. Comecei como muita gente: prompts básicos, respostas interessantes, a sensação de que aquilo podia ir muito além do que eu estava usando. Depois vieram os prompts mais elaborados, os agentes, e depois sistemas com vários agentes conversando entre si. Cheguei a testar uma estrutura ambiciosa demais — um organograma de agentes inspirado em hierarquia de empresa, avatar por executivo, subordinação entre eles. Parecia elegante no papel. Na prática, aprendi que copiar organograma também copia os defeitos do organograma: mais agente não é sinônimo de mais inteligência, é sinônimo de mais reunião. Só que entre robôs.
Boas madrugadas foram gastas tentando entender por que um agente obedecia perfeitamente até decidir, sem aviso, que não obedecia mais.
O problema apareceu dentro de casa
A virada não veio de nenhuma tese de mercado. Veio de uma frase batida, repetida quase toda semana lá em casa: "você colocou isso na lista?"
Eu e minha esposa precisávamos de uma lista de compras compartilhada que funcionasse no meio da correria. Nada de planilha, nada de mais um aplicativo pra aprender. Só mandar mensagem e pronto.
Criei o primeiro módulo usando os canais que a gente já usava todo dia — WhatsApp e Telegram. Funcionou bem até chegar ao supermercado: se duas pessoas compram ao mesmo tempo, conversa sozinha não resolve. Alguém precisa ver o que já entrou no carrinho, em tempo real, sem duplicar item. Foi daí que nasceu a primeira tela auxiliar da plataforma — a mensagem como entrada, a tela como controle quando texto solto já não basta.
Esse padrão simples acabou virando a espinha dorsal do produto inteiro. E foi ali, resolvendo uma chateação doméstica bem pouco cinematográfica, que a Marhvell Agents nasceu — não de uma planilha de oportunidade de mercado.
Ainda é beta assistido, e digo isso sem desconforto
A Marhvell hoje está em beta assistido. Isso significa que ainda sou eu — e algumas famílias e grupos próximos — testando, ajustando e corrigindo atrito antes de qualquer coisa parecida com lançamento público. Não tem fila de espera gigante, não tem número bonito pra mostrar ainda. Tem uso real, pequeno, acompanhado de perto. E esse, por enquanto, é exatamente o tamanho certo.
A ambição é simples de escrever e difícil de entregar
Quero que a Marhvell resolva uma coisa específica: coordenar a rotina de quem divide responsabilidade — família, república, grupo de cuidado — sem virar mais uma obrigação na vida de ninguém.
Na prática isso quer dizer conversa quando basta: pedir por mensagem, do jeito que a pessoa já fala. Quer dizer também tela quando precisa agir, abrindo uma tela simples quando confirmar, revisar ou decidir exige mais do que texto solto. E quer dizer agentes que ajudam sem cobrar atenção, lembrando, organizando e avisando sem virar mais uma notificação irritante pra administrar.
Nada disso é mágica. É trabalho de arquitetura: escolher onde a IA decide sozinha e onde ela precisa parar e perguntar, e aceitar que código funcionando não é a mesma coisa que produto validado.
Por que voltar a escrever agora
Não estou voltando para vender certeza. Estou voltando para mostrar construção — decisão, erro, arquitetura, rotina de casa e o trabalho pouco glamouroso de transformar IA em algo que as pessoas realmente usam, não só admiram.
Deixo uma pergunta para você, que também deve estar usando IA de um jeito ou de outro: em que momento ela deixou de ser curiosidade e passou a fazer parte da sua rotina?
Curioso para ver isso funcionando? A Marhvell Agents está em beta assistido, com ativação acompanhada — ainda sem fila pública.
Conhecer o beta assistido